Tag: História

Um evento, um cliente, uma amiga e muitas histórias

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Evento Dominique no Shopping Anália Franco

Hoje assisti algo muitíssimo perturbador. Saí diferente de lá.
Sim. De lá. Apesar de ser um vídeo do Netflix, embarquei na narrativa da pessoa. Foi uma viagem conturbada e emocionante.
Se já assistiu “Nanette” sabe do que estou falando mas se não assistiu digo que é algo necessário na vida da gente.
Uma amiga me recomendou e foi assertiva: – Você tem que ver!!!
Diante de tamanha ênfase não tive alternativa a não ser assistir imediatamente.

Agora, pensando, reconsidero minha recomendação.
Não.
Não é para qualquer um. Só alguém que te conhece muito bem pode fazer tal recomendação porque como me disse Consuelo ao falar dele, “acho que vai te tocar como me tocou. Cresci uma geração diante daquilo tudo”.
E batata!! A história da comediante Hanna Gadsby me pegou.

Como pode, a Consuelo em menos de um ano, me conhecer assim?
Conhecemo-nos por motivos profissionais em agosto/setembro de 2017. Para palestrarmos juntas em dezembro do mesmo ano.
De lá pra cá, nos encontramos poucas vezes, mas mais vezes do que muita amigona que mora São Paulo.
E toda vez que estamos juntas, temos uma sintonia tão boa!! Assunto pra mais de mês. Papos legais, divertidos e por vezes profundos.
Com ela aprendi o que é FOMO. Aprendi também  que somos muito melhores depois de uma taça de vinho.

Nossa primeira palestra rolou tão bem tão bem, que os presentes acreditaram que éramos amigas de infância mesmo.
Tanto que fomos chamadas para uma segunda que aconteceu esta semana.
A Cliente, o Shopping Anália Franco acreditou no projeto Dominique. Na força da mulher de 50, na Consuelo e em mim.
Quando digo A cliente quero dizer que o Shopping Anália Franco tem que ter alma feminina.  Sem sexismos toscos ou feminismos bobos, digo que poucas vezes fui tão bem tratada por um(a)  cliente. O respeito pelo fornecedor (nós) e pelas próprias clientes que estariam ali nos assistindo, é coisa de mulher no melhor sentido Yin e Yang.
O trabalho é importante. O dinheiro também. Mas todo mundo tem que estar feliz!! E estavam.

Elas ofereceram uma tarde inesquecível para 100 mulheres.
Fecharam um restaurante. Só para nós. Um cardápio super pensado. Para a  chegada, o durante e para o depois. Um inebriante espumante embalou nossas conversas.
E mimou. Mimou a todas nós, com gifts. Muitos Gifts. Quem não gosta de ganhar Presentes? Cada uma de nós saiu de lá com pelo menos 7 pacotinhos.
Yes darling. Pelo menos 7 pois algumas sortudas ganharam o sorteio de outras 10 prendas.
Aiiii Que delícia.

Agora quero falar das 100 mulheres que lá estiveram.
Mulheres bonitas. Alegres. E arrumadas.
Gente!! Elas se arrumaram para irem nos ver!!  Amigaaaaaa, olha que gente mais bacana!!
Entramos, Consuelo e eu, e o que vimos foi um monte de sorrisos. Senti uma felicidade no ar que dava pra pegar com a mão.
Meu nervosismo de principiante e foi dando lugar a Lili. Lili é como sou chamada por algumas pessoas. Lili é a amiga, a companheira, a cúmplice.
Mas não estava nervosa apenas por nao ter grande experiência em estar deste lado do palco. Mas pela responsabilidade diante de um cliente que me tratou a pão de ló.

Sou ansiosa sim. Sou controladora também. Tento há anos melhorar, enfim…A coisa é que  alguém acreditou no que eu falei! Alguém comprou meu sonho. E portanto, o mínimo que eu tenho que fazer é corresponder. Era um compromisso firmado!
Olhei tudo nos mínimos detalhes e claro, contei com ajuda de pessoas muito competentes. E agora, publicamente, aproveito para pedir desculpas . Talvez não tenha reconhecido o suficiente a dedicação de minha equipe.  Muito obrigada! Sozinha ninguém faz nada!

Mas como disse, estava nervosa, muito.
Tentei ensaiar e simplesmente não saiu.
Vc pode imaginar meu pânico?
Tentamos novamente. E eu travei de novo.
Comecei a ficar muitíssimo preocupada. Foi quando Consuelo me convidou para almoçar.
Me acalmou. Conversou. Pedimos um vinho que eu tomei sozinha.
Também já conheço um pouco Consuelo e sei bem que ela adicionou uma doçura extra em sua fala e em seu olhar. Vi que estava preocupada, mas ao meu lado, me entendendo, me desculpando e me apoiando.
E deu certo!! Entramos.  Falamos. Conversamos. Rimos. Vibramos.

Bom, o universo retribui. Quem acredita nisso?
O carisma de minha colega de palco é inegável. O carinho que aquelas 100 mulheres dedicaram a nós, mas principalmente a ela é um sinal. Sinal de que algo de muito bom Consuelo oferece a elas. E como disse, tb a conheço um pouco para saber da verdade e da emoção em cada palavra que falou.
As pessoas estavam lá para saber dela, ouví-la, vê-la. Acabaram conhecendo a Lili e sobrou carinho até pra mim.
Vi como Consuelo tratou cada uma daquelas 100 mulheres. Acredite ou não, ela conhecia a história de muitas delas, sem nunca te-las visto.
Minha amiga responde a cada mensagem recebida em seu blog. Ela se envolve na história das Dominiques, ela se interessa e sofre ou torce junto a cada uma delas. E de verdade, até pq só assim conta, né?

Todo discurso de Dominique girou em torno das histórias que temos para contar.
Pedi histórias para as Dominiques. Pedi que me contassem para que eu pudesse dividir com outras e para que nós, humildemente, tentemos mudar o olhar de uma sociedade para uma geração tão diferente de mulheres que somos nós.
Histórias. Muitas e diversas.

Lembra do tal universo que falei lá em cima?
Então. A hora que abri os mimos do shopping, olhe só o que era um deles :

A Shoulder sabe que Dominiques contam histórias!!

Nem se tivéssemos combinado.

E já voltando para casa, dando uma carona para Consuelo,  emendamos num de nossos deliciosos papos. E foi quando ela me recomendou Nanette. Ficamos no carro papeando, sabendo que não estaremos na esquina uma da outra nos próximos meses, e que na nossa vida corrida, nao sobrará tempo para papos ao telefone. Então aproveitamos nossos derradeiros minutos juntas. E foi aí que ela desceu do carro, e se despediu de mim com a seguinte frase:

– Muito obrigada por respeitar tanto o trabalho!

Pedi que repetisse pois achei que não tinha entendido direito. Mas era aquilo mesmo.
O respeito a que ela se referia, não era a SEU trabalho. Mas ao trabalho. De uma maneira geral.
Ela não individualizou ou trouxe para ela o meu respeito. Ela fez meu respeito soar muito maior pois referiu-se ao trabalho da maneira como eu o entendo.

Consuelooooooo!! Cadê você? Eu vim aqui só pra te ver!!!

Veja as fotos do evento no Pinterest

Increva-se aqui e saiba antes quando será o próximo encontro!

Você conhece os Pequenos Encontros & Grandes Histórias da Dominique?

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

11 Comentários
  1. Foi fantástico conhecê-las pessoalmente, vocês são pessoas incríveis, super competentes, experientes e com um astral incrível. Obrigada pela tarde deliciosa, cheia de lindas histórias e trocas de experiências e energias boas! Estou feliz por ser uma nova Dominique!

  2. Lili e Consuelo, pena eu não ter ido desta vez..
    Vcs moram no coração ! Tão legal abrirem um espaço de troca, distração, reflexão,risadas, besteirol,choros, etc, etc..mas acima de tudo ,um espaço NOSSO. Sim, isso é possível, é merecido.
    Obrigada Dominiques, até o próximo encontro mas sempre por aqui, bjs

  3. Pena que não pude estar presente neste evento tão especial ; fiquei morrendo de tristeza por não ter remanejado meus compromissos. Pelas fotos, da pra perceber como foi intenso e e leve , alegre e descontraído o evento. . Parabéns Li ou Super LILI ou simplesmente Eliane e concluindo você É o Retrato vivo desta famosa guerreira Dominique! Mil pra vcs e todas Dominiqiues. Parabéns.

  4. Alessandra querida! Conheci nesse evento um outro significado para a palavra carinho. Que coisa mais bonita. O atral estava tao bom que minha impressao é que todo mundo saiu de lá mais feliz do que entrou. E isso deixou a Consuelo e eu em estado de graça.
    Vamos continuar o contato. Até por isso criei aquela página.
    Quem sabe, né?

    Beijos

  5. Menina… me identifiquei 100% no nosso encontro e também com tudo o que vc escreveu! Fiquei muito feliz com nosso memorável dia e por ter conhecido Dominiques tão incríveis quanto suas histórias! Obrigada pela oportunidade ímpar!

  6. Eu me apaixonei pela Consuelo em 2015 sem saber muito sobre ela… A gente conversava pelo Snapchat e fomos criando uma relação tão legal…. Que quando conheci ela foi tão mágico… Então catei os stories para ver a Consuelo… E matar um pouco da saudade… Vou esperar vocês em Floripa e vou levar minha mãe também…. Obrigada por tanto ensinar… Logo logo sou eu com 50 rsss

  7. Imagino que tenha sido um encontro delicioso e memorável, não a conheço bem mas a Consuelo já acompanho há algum tempo e sei de sua delicadeza e atenção com todos.
    Espero que tenha mais encontros como esse para que possa deliciar nossa alma.
    Parabéns pelo trabalho e pelo respeito ao trabalho.

  8. Lili! Acredito que posso chama-la assim, sera
    Sorry pela falta de alguns sinais e acentos, computador novo e ainda não me acostumei com o individuo rsrs
    Delicia demais ver voce e Consuelo juntas – duas pessoas que me ensinam muito, sem ao mesmo ter ideia de que existo, me ensinam moda, cultura, comportamento, me sinto feliz quando encontro um tempinho e passo por aqui! Fiquei curiosa com uma coisa, talvez voce ja tenha explicado em outro post que não tenha lido – o que e FOMO – kkkk me ensina também
    Obrigada por ser uma Dominique e me ensinar a arte do empoderamento feminino! Forte abraco e um lindo dia p voce!

    1. Olá Paula, que delícia de mensagem!! Saber que fazemos parte da vida de alguém dessa maneira, me deixa muito feliz. Pq a ideia é essa!! É fazermos parte. O sentimento de pertencimento é importante em todos os momentos da nossa vida, mas quando viramos Dominiques é vital sabermos que nao estamos sozinhas.
      E FOMO = Fear of missing out – é o medo de estar perdendo alguma coisa. Saber que alguém está fazendo algo e COMO eu nao estou?? É a ansiedade de querer nao perder absolutamente nada.

      Querida, um grande beijo de sua amiga, Lili.

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Novidade na Netflix – A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata!

Banner_A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATASim, o título é esse mesmo, A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, filme baseado em uma obra literária bastante conceituada do mesmo nome, escrito por Annie Barrows e Mary Ann Shaffer.

O título é bem instigante por ser tão diferente, mas assim como no livro, traz uma trama fluida e bem dosada, um drama muito bem construído.

Londres 1946, a história gira em torno de Juliet Ashton (vivida por Lily James), uma jovem escritora que goza do auge de sua carreira em meio a palestras e eventos para promover sua mais recente obra.

Tentando cumprir sua apertada agenda, Juliet recebe uma carta de um desconhecido. Esse desconhecido é um fazendeiro que se apresenta como Dawsey Adams (Michiel Huisman), que começa a se corresponder por cartas com a protagonista.

Juliet se encanta com a história de Dawsey e do grupo de literatura que se formou durante a Segunda Guerra Mundial, a tal Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata, e resolve visitar a Ilha de Guernsey, localizada no Canal da Mancha, entre a Inglaterra e França.

A Ilha de Guernsey foi invadida por alemães na segunda guerra e o filme ajuda a ilustrar os impactos que a invasão nazista causou à população.

Ao chegar à Ilha, Juliet conhece o grupo de amigos que compõe a Sociedade Literária e a trama começa a ser desenhada.

O principal é o drama que envolve o grupo de moradores e amigos em Guernsey.

O longa conta com um clima leve, longe de qualquer relação direta com tradicionais histórias da segunda guerra.

Interna_A SOCIEDADE LITERÁRIA E A TORTA DE CASCA DE BATATAA Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata possui um texto mais moderno que, como toda boa obra, sabe misturar história de amor épico com outras temáticas mais profundas e complexas.

A direção do competente Mike Newel consegue levar drama, comédia, romance e literatura com resultado muito agradável.

A ambientação do longa, somada com a trilha sonora e fotografia, também ajuda a dar o tom.

Uma história que cativa pela sensibilidade e emoção.

O ponto-chave para esse resultado de sucesso reside na aposta do diretor pela simplicidade e delicadeza da história, e também nas boas atuações entregues por parte do elenco.

O filme carrega de forma inteligente o impacto causado pela guerra, que é superinteressante, mas o que chama a atenção é o destaque da atitude de Juliet que reforça a retomada do poder de decisão da mulher sobre sua própria vida.

A Sociedade Literária e a Torta de Casca de Batata não é só um drama/romance com tema de segunda guerra, mas traz também um ar feminista superpositivo, em uma época de transição e de quebra de paradigmas que foi o pós-guerra e que cabe ainda nos dias de hoje.

É um filme perfeito para aqueles que desejam se conectar com o poder da leitura e voltar a acreditar no amor ao próximo, uma vida simples, sem pré-julgamentos e na beleza de encontrar, em meio a um grupo, o seu lugar no mundo.

Sem dúvida, um filme belo e um ótimo entretenimento.

Aqui fica a dica!

Bom programa!

Trailer:

 

Leia mais:

Adeus, Minha Rainha – Os últimos dias de Versalhes na Netflix

Os Sabores do Palácio – Um delicioso filme na Netflix

 

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Fome de Poder – Um filme sobre a maior rede de fast food do mundo

Banner_fome_de_poderA verdadeira história por trás do sucesso da maior rede de fast food do mundo

Hoje minha dica é o filme, disponível na Netflix, Fome de Poder.

Fome de Poder tem um ritmo ágil, diálogos enxutos, atuações e um ótimo Michael Keaton no papel principal, mas sem dúvida, sensacional é a história real.

Fome de Poder explora a história da criação de uma das marcas mais famosas do mundo, o McDonald`s.

Dirigido pelo cineasta texano John Lee Hancock, o filme apresenta argumentos sólidos, mostrando todo o início da empresa pelos olhos do ambicioso Ray Kroc (Michael Keaton) que guia a trajetória da rede de lanchonetes.

Kroc foi o homem que criou o império do fast food, porém em cima da ideia da inovadora dos irmãos Dick e Maurice McDonald.

Quem já comeu um Big Mac deverá ficar curioso para conhecer a história.

Interna_fome-de-poderKroc (1902-1984) era um vendedor que percorria as lanchonetes emergentes da América, nos anos 1950, oferecendo novos equipamentos para facilitar a operação daqueles pontos de vendas de hamburger. Ao ser surpreendido por um pedido enorme dos misturadores de milk shake que vendia, quis saber mais sobre o desconhecido restaurante na Califórnia que teria demanda para tanto leite batido.

A perseverança de Kroc para entrar no negócio e com seu conhecimento do mercado, transformar o McDonald`s em uma rede de franquias esbarrou na pouca ambição dos McDonald. Eram veteranos no ramo muito satisfeitos com o sucesso local. Quando o obstinado Kroc consegue sua parte na iniciativa, o filme começa a contar em detalhes saborosos como ele vai espalhando as lojas pelo país, não sem enfrentar um milhão de problemas.

A tradução literal do título americano, “O Fundador”, vende o filme de um jeito e o título em português “Fome de Poder”, vende o filme de outro. Ambos corretíssimos, mas o foco está mesmo na disputa jurídica pela rede.

Ver os irmãos literalmente perderem sua criação para um empreendedor esfomeado por dinheiro e poder é uma premissa excelente para um bom filme.

Uma surpresa é a trilha sonora que consegue dar conta do triunfante para o sombrio – quando o sonho dos McDonald aos poucos se transforma no sonho de Kroc – com uma variação sutil de temas ao piano.

Michael Keaton vive mais uma vez o homem dúbio e empresta carisma e energia ao seu personagem impiedoso, vilão meticuloso que abre suas verdadeiras facetas conforme é atacado. Destrói os sonhos dos outros para alcançar status e sucesso. Keaton na pele desse conturbado Kroc demonstra mais uma vez sua qualidade como ator.

Vale a pena conferir essa história real e incrível!

Bom programa para você!

Tags: 2016, Cinema, Fome de Poder, Biografia, Drama, História, Estados Unidos da América, John Lee Hancock, Título Original, The Founder, Michael Keaton, Laura Dern, MacDonald´s, História Real, Netflix

 

Trailer:

https://youtu.be/hpSRzLUFkN4

Leia mais:

Como é chato conviver com um chato, a pior espécie de um mala sem alça.

Pizza! Hoje é dia da dela! Para você 10 deliciosas receitas.

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Histórias da praia 3 – Uma Dominique se descobrindo no Rio Chico

Dominique - PraiaComo disse no primeiro texto sobre as histórias da praia, uma das melhores coisas da minha praia são os papos, os causos, as histórias. Lembra que falei no segundo texto da Marianne que andava de manhã cedinho roubando minha exclusividade?

Bom, fato é que nos tornamos boas amigas de temporada, quer dizer, só nos encontramos lá. E só batemos papos daqueles de lavar a alma de vez em quando.

E foi isso que aconteceu semana passada.

Nos encontramos no fim da tarde para um daqueles famosos cafezinhos.

Papo vai, papo vem, disse que nunca mais a tinha visto com sua câmera fotográfica. Companheira inseparável.

Ela falou que tinha dado um tempo. Não sabia bem porque. Mas tinha aposentado dentro de uma gaveta. Máquina, lentes e parafernálias.

– Sabe? O digital facilitou muito, mas me fez perder o tesão. Esse negócio de poder tirar muitas fotos para poder escolher a melhor tirou a beleza das fotos na minha opinião.

– Mas porque Marianne? É uma enorme facilidade.

– Porque o custo da revelação impedia que tirássemos esse monte de fotos. Quando fotografamos, o que importa é a primeira, é o nosso olhar naquele momento, é o que capturamos, é o que aquilo nos fez sentir. Aí vem o momento da revelação, sendo que na maioria das vezes já tinha até esquecido de algumas fotos. E aparece a delícia de descobrir aquele registro. Bem, posso ser anacrônica ou saudosista, mas acho que não tem mais a mesma graça.

E aí ela começou a contar como foi o processo dela de descoberta pela paixão pela fotografia.

Por volta dos 50 anos, (affff sempre por aí, né Dominiques?) ela quis fazer algo que fosse só dela, só para ela e que a libertasse um pouco dos papéis de mãe filha, esposa, profissional. Estava se sentindo oprimida nessa casca.

Ahhh Mariane, como eu te entendo.

A história de seu desenvolvimento como fotógrafa, eu vou pedir para ela contar pessoalmente.

Foi fazer cursos com feras. Cursos que precisava ser aceita. Mas como assim? Nunca fotografei. Como farei um teste? Well, ela foi aceita, porque sempre teve e sempre terá o espírito do artista. O olhar diferenciado.

E assim passaram-se anos fotografando e estudando.

Até que surgiu a dúvida. Mas o que é que eu fotografo?

Para que eu fotografo?

Sou mais uma fotógrafa de por do sol de Insta?

E resolveu realizar um antigo sonho. Conhecer e fotografar o Rio São Francisco.

Mas precisava fazer isso sozinha.

Precisava deste tempo. Precisava deste encontro com ela mesma.

Fez seu roteiro.

Colega, sério, eu jamais teria encarado essa viagem. Roots demais para meu estilo.

Mas Marianne, na época com 54 anos, partiu decidida de avião até Aracajú. De Aracajú, 5 horas de ônibus até Penedo. E de Penedo mais 6 horas de ônibus até Piranhas.

Você já ouviu falar de Piranhas? Pois é eu nuuuunca tinha ouvido falar.

Mas a descrição de Ma foi de dar água na boca.

Uma cidade muito organizada, com casinhas coloridas, ruas de paralelepípedos, às margens do Velho Chico, mas ainda cheia de grutas e com histórias riquíssimas sobre o cangaço, afinal lá foi feita a emboscada final para maria Bonita e lampião. N-U-N-C-A poderia imaginar. Afff! Quanta ignorância!

Mas voltando. Ma hospedou-se numa pousada, simples e acolhedora. Estamos falando de 2005. Muita coisa deve ter mudado de lá pra cá.

Mas lá vai ela fotografar e procurar sua essência.

Até que numa certa sexta-feira, Marianne começa a passar mal. Tontura, dor de cabeça, vómitos e febre.

– Ah!  Já já passa. Vou ficar quietinha no quarto hoje.

Aí começa a diarreia. Na madrugada de sexta para sábado percebe que a coisa só piora.

Que está sozinha, no meio de lugar desconhecido sem conhecidos.

O que adiantava ligar para família naquela altura? 4 horas de avião mais 11 horas de estrada?

Arrastou-se até a entrada da pousada, chamou a dona, que muito solicita, a levou ao hospital da cidade.

Para uma paulistana, chamar aquilo de hospital não parecia apropriado. Pela falta de equipamentos e tamanho, mais lhe parecia um posto de saúde.

Foi quando apareceu um médico.

Não. Ele não estava de branco. Não, ele não tinha cara de experiente.

Mas ela estava desmaiada. Oscilava momentos de lucidez com apagões totais.

Soro na veia e internação.

Internação??? Sozinha?

Não tinha jeito. Na verdade, quase agradeceu ter alguém, para cuidar dela.

Mas não deixava de estar com medo.

O médico acalmou-lhe. Disse que tudo ficaria bem. E falou que faria uma acupuntura nela.

Sua primeira reação?? Não! Acupuntura não? E as agulhas?

O médico sorriu complacente e pediu mais uma vez que ela não se preocupasse. Apenas que descansasse.

Bem, Marianne não tinha o que fazer. Estava entregue. Nas mãos daquele Doutor. Já tinha sido indelicada o suficiente. E tinha que acreditar nele.

E assim passou o sábado. Entre soros e agulhas. Entre pequenos apagões. Acordada se sentia num sonho. coisa estranha.

Mas passou. E veio o domingo. Que continuaria internada se recuperando. Embora já sentisse melhor. Bem melhor. Já tinha até fome!

Conseguiu sentar na cama e ver que estava numa enfermaria com outros dois pacientes. Tudo muito simples, mas muito limpo e organizado.

Ainda se sentia fraca demais. Mas já conseguia pensar. Bateu-lhe uma enorme tristeza.

Pela primeira vez sentiu-se sozinha e repensando se aquela tinha sido uma boa decisão mesmo.

Será que não tinha a capacidade de viver aquela experiência?

Quanto mais pensava, mais triste ficava.

Mas de repente, entra uma pessoa no quarto. Um estranho. Um senhor.

Cumprimenta-a. Pergunta se ela precisa de algo. Segura em sua mão. Vai buscar sua refeição na copa. Não… Não era ninguém do hospital.

Ele sai e chega uma senhora, trazendo uma santinha para presentear-lhe. Senta na beira da cama. Olha em seus olhos. Passa mão em seus cabelos. Oferece-se para ligar para família. Pergunta seu nome. E foi assim todo o domingo.

Ela viu que não era só com ela, mas também com os dois outros pacientes.

Na verdade, aquelas pessoas tiravam o domingo para consolar, ajudar, conversar, fazer companhia aos doentes e principalmente estranhos. Sabiam que eram pessoas que estavam precisando de conforto. E que uma palavra e um carinho poderiam fazer a diferença.

Neste momento, Ma começa a chorar e disse que nunca mais foi a mesma. A certeza de que precisamos de muito, muito pouco, para viver. Que existem sim pessoas que fazem o bem pelo bem.

Acredito. Acredito nela. Porque a Nanny é tudo isso.

Uma emocionante história de praia não acha?

Leia Mais:

Histórias da Praia 1 – Amigas na reunião de condomínio
Histórias da praia 2 – Ela e seus deliciosos segredos

Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

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A Rússia por uma Dominique! O país da Copa do Mundo – Capítulo I

Dominique - Rússia
Estive na Rússia levando um grupo há poucos anos e tracei um paralelo com a Disney. O castelo da Cinderela com a igreja de São Basílio e as atrações como a Praça Vermelha, o Hermitage, as joias de Catarina, o Bolshoi com as atrações dos parques.

Não me leve a mal e nem estou desmerecendo um ou outro. É que a sensação de fantasia permaneceu todo o tempo em minha alma, justamente porque Moscou e Saint Petersburgo não podem ser comparadas à nenhuma outra cidade do mundo, nem muito menos à sensação que elas trazem ao nosso espírito.

O grau e nível de contemplações e deslumbramentos é muito parecido, só que em um contexto ainda maior: tudo ali é de verdade.

Como uma boa Dominique, claro que meu deu frio na barriga me lembrando dos tempos soviéticos: achei estar sendo perseguida por um espião da KGB e alguns de meus passageiros caíram nos braços da Síndrome de Stendhal*.

A começar que consegui que nossa visita ao maior museu do mundo (coloca o Louvre no chinelo, desculpe) fosse privativa para nós. Enquanto nos deliciávamos no corredor inteiro de Rembrandt, observávamos pelas janelas filas imensas do pessoal que vem em cruzeiros e aporta na mesma hora em Saint Petersburgo para visitar o museu. Sim, dei um “tchauzinho” de lá de dentro para não perder meu momento de sordidez!

Dominique - Rússia

Hoje em dia, o viajante busca novas sensações e confesso que levo mais grupos ao Marrocos do que à Paris nos últimos tempos (meu destino predileto), mas mesmo o Marrocos não possui a magia da Rússia em experiências tão fascinantes como as “Noites Brancas” de Dostoievski, por exemplo. Quem assistiu ao filme “O Sol da Meia-Noite”, de 1985, direção de Taylor Hackford, com aquele gato do Mikhail Baryshnikov, pode ter uma ideia do que é sair de barco pelo rio Neva em um eterno luso-fusco, seja 7 da noite ou 3 da manhã.

Entrar na Igreja do Sangue Derramado e observar ela inteirinha feita em mosaicos é algo que não se consegue descrever em palavras.

Já em Moscou, a sensação de pertencimento ao mundo, o poder de tocar na história ao caminhar pela Praça Vermelha não há comparativo à altura. Não é, nem de longe, uma questão de fotos bonitas e comprar Matrioskas ou Ovos Fabergé, ou provar o autêntico strogonoff, caviar e vodka. É algo que supera tudo o que você possa vir a imaginar. E eu acredito que esta sensação somente as Dominiques podem desfrutar. Novas gerações, pós-Perestroika, não sabem do que eu estou falando.

Dominique - Rússia

Grandiosidade é uma palavra pobre para descrever as construções, além do Hermitage, Igreja do Sangue Derramado (vou contar a história em breve), mas também “Tsarskoye Selo” e “Peterhof” são complexos totalmente fora dos mais absurdos padrões de beleza e minúcia. Algo que toca o divino. Palavra de Dominique!

É uma mistura do tipo coquetel Molotov: assim que desembarca no aeroporto, começa a ver placas de rua e trânsito e o mapa do metrô em Cirílico, passa pelo prédio da KGB, entra no Bolshoi, visita o Bunker de Stalin e, com isto, entre uma dose e outra de vodka, começa a sentir uma espécie de torpor que chega ao clímax ao sentir a brisa do mar Báltico, sem poder distiguir o dia da noite e entra na casa de Dostoievski. É uma explosão dos sentidos!

Dominique - Rússia

Fica esta dica, diante da Copa do Mundo, que inclua, ao menos uma vez na vida, a oportunidade de sentir, vivenciar, “experienciar” e sentir-se fazendo parte do mundo e de sua história visitando Moscou e Saint Petersburgo.

A Cynthia Camargo escreveu um Guia sobre Paris bem bacana e atualizado, veja neste link

Bem-vindas à série Rússia por uma Dominique! Até o próximo capítulo.

* Síndrome de Stendhal, síndrome da sobredose de beleza. É uma doença psicossomática bastante rara, caracterizada por aceleração do ritmo cardíaco, vertigens, falta de ar e mesmo alucinações, decorrentes do excesso de exposição do indivíduo a obras de arte. Fonte: Wikipédia.

Leia Mais:

A Rússia por um russo, Uma visão diferente do país dos Czares Capítulo II
Série Rússia Capítulo III – E, aí? Você já visitou um Bunker na sua vida?

Cynthia Camargo

Formada em Comunicação Social pela ESPM (tendo passeado também pela FAAP, UnB e ECA), abriu as asas quando foi morar em Brasilia, Los Angeles e depois Paris. Foi PR do Moulin Rouge e da Printemps na capital francesa. Autora do livro Paris Legal, ed. Best Seller e do e-book Paris Vivências, leva grupos a Paris há 20 anos ao lado do mestre historiador João Braga. Cynthia também promove encontros culturais em São Paulo.

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A Duquesa – Um lindo e irresistível filme de época, vale a pena conferir

Dominique - A Duquesa
Baseado em fatos reais, o filme A Duquesa,  conta a história de Georgiana Cavendish. Uma dama da nobreza britânica no século 18 e que veio a se tornar Duquesa de Devonshire.

Georgiana é uma personagem adiante de seu tempo, inteligente, simpática, perspicaz e política para viver sua plenitude em meio a tantas normas e tradições machistas.

É nesta época machista e conservadora que a bela e ingênua Georgiana (Keira Knightley) aceita a proposta de casamento do Duque de Devonshire (Ralph Fiennes) sem sequer conhecê-lo bem. Afinal, trata-se do homem mais poderoso da Inglaterra e até sua mãe (Charlotte Rampling) empurra sua filha para o partidão.

O duque, por sua vez, não é nenhum primor de requinte, mas claro tem suas convicções. O casamento só lhe interessa para gerar um herdeiro masculino para sua riqueza. Realidade difícil para Georgiana, uma jovem cheia de vida e pronta para demonstrar os seus sentimentos, deparando-se com alguém que é o oposto de si. A chegada seguida de meninas logo destrói o equilíbrio doméstico. Mostrando claramente o lugar inferior ocupado pelas mulheres na ordem social de outros tempos.

Marginalizada, a duquesa tem sua atenção deslocada para ideais alheios, como as proclamações de igualdade, liberdade e fraternidade que chegam ao Condado de Devonshire vindos da América e da França.

Percebe-se no ar a chegada de novos tempos, de uma provável revolta que mudaria tudo. Até porque a ação é ambientada 15 anos antes da Revolução Francesa. Uma mudança tão grande no comportamento social que forjava os padrões para um homem, uma mulher mais livre.

Para Georgiana, porém, a tal revolução não chega. Afinal como diz o duque à sua esposa: “você sonha com um mundo que nunca existiu, nem nunca existirá”.

Dominique - A Duquesa

De beleza invejada e adorada por todos nas rodas sociais inglesas, Georgiana usou um pouco mais que suas influências para participar do cenário político. Afinal o direito de voto ainda levaria um século para ser concedido às mulheres.

Em “The Duchess”, Keira Knightley volta a interpretar uma personagem feminina de forte personalidade. Fragilizada perante o estatuto diminuto da mulher em relação ao homem de seu tempo, principalmente na segunda metade do século 18, com a atriz capaz de exteriorizar as dúvidas, dores, paixões e extravagâncias da protagonista.

O filme traz implícito paralelismo entre Georgina Cavendish (1757-1806), Duquesa de Devonshire e Diana Frances Spencer, Lady Di (1961-1997), Princesa de Gales.

É óbvio até porque ambas são integrantes da mesma linhagem familiar.

Saul Dibb opta por uma direção sóbria e por contar sua história de forma clássica e tão tradicional quanto os costumes de seu longa.

A fotografia esmerada explora os tons quentes das luzes de velas com extremo requinte. Sem falar das locações exuberantes pela Inglaterra.

O figurino é um luxo total! Simplesmente maravilhoso!

“A Duquesa” se revela um galante exercício estético da época e um belo filme. Principalmente para aqueles que apreciam a beleza do passado e o poder do drama.

Com um elenco estelar e ótimas interpretações, uma história interessante e uma trilha sonora competente e adequada. O longa acaba se mostra um ótimo exemplar do gênero.

[fve]https://youtu.be/OqKwh__0cWU[/fve]

Corra para o sofá e veja esse filme! Garanto que você vai adorar A Duquesa.

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Recordar é viver? Nem sempre o passado foi tão bom assim

Dominique - Recordar
Constantemente ouço comentários de que as coisas atualmente estão difíceis. Seja no aspecto financeiro quanto social ou das coisas do mundo: que as pessoas não interagem mais como antigamente, que as músicas eram melhores, que as brincadeiras eram mais divertidas, enfim….que o mundo era um lugar melhor. Recordar é uma forma de nostalgia comum, que nos faz ressaltar o valor daquilo que vivemos e também lamentar o tempo que passou e as mudanças que aconteceram.

Será que é assim mesmo? Será que o passado era melhor ou nos tornamos saudosistas e pessimistas? O fato de atravessarmos tempos mais áridos e instáveis pode abrir brecha para pensarmos nos momentos mais realizados da vida, é verdade.

É essencial percebermos que não temos controle sobre muitos acontecimentos, como perdas e doenças; os imprevistos fazem parte e exigem adaptação e resiliência. Mas existe uma parcela de acontecimentos e eventos que contam com nosso empenho, nossa participação especial, como protagonistas e realizadores.

Recordar é viver até certo ponto. Quando recordamos e vivenciamos momentos passados, acessamos nossa bagagem de experiências. Qual o valor e o peso da recordação? Parece que ao fazermos esse passeio pelo passado, muitas experiências podem ficar supervalorizadas. Mesmo que percebamos que as coisas estavam melhores, será que o fato de achar que o melhor da vida já passou não é uma forma de sabotagem?

O que foi legal no passado pode ser colorido com cores bem intensas e no presente se tornar “bacanérrimo” por um movimento psicológico de atribuir qualidades especiais à lembrança do momento vivido. Dessa forma, as lembranças adquirem mais brilho. Sabe aquele relacionamento que nem foi tão especial, mas ao recordar da relação e da pessoa, parece que tudo foi mágico? Muito mais porque “temperamos” a lembrança do que pelo relacionamento em si.

Se as coisas mais legais já passaram e já foram vividas, porque me esforçar ou me engajar em coisas novas e em experiências “que já não são tão boas” como já foram no passado? A zona de conforto ajuda a criar o discurso que a sustenta. E aí o passado te prende, te faz refém e te ilude. Ficar preso ao passado é como desinvestir da vida, daquilo que ainda pode ser construído para o futuro.

Os processos terapêuticos de diversas linhas trabalham no sentido do resgate da história de vida, ressignificação e despertar de possibilidades. Revisitar o passado e o peso que se dá a ele constitui um valioso trabalho no sentido da evolução pessoal.

O outro extremo de valorizar pouco o passado parece não ajudar a assimilar o significado e o aprendizado que cada momento teve, e que, consequentemente, nos prepara para as vivências futuras. E aí repetimos padrões de comportamento e funcionamento distorcidos que nos conduzem às mesmas escolhas que não nos fazem felizes.

Ser feliz, ter satisfação e realizar os próprios desejos requer energia investida. E essa energia emocional não pode estar presa ao passado… Deve fluir pela vida, pelas escolhas e pelo rumo que devemos dar ao que queremos que seja bom, para que daqui a alguns anos possamos olhar para esse momento e perceber o quanto ele também foi legal!

É necessário tirar proveito das experiências vividas. Aceitando que o passado é uma lembrança e não um momento real e atual. E assim curtir as lembranças, aprender com os erros e voltar ao presente!

Recordar é bom demais, mas não devemos nos prender ao passado, não acha?

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Alcione Aparecida Messa

Psicóloga, Professora Universitária e Mediadora de Conflitos. Doutora em Ciências. Curiosa desde sempre, interessada na beleza e na dor do ser humano. E-mail: alcioneam@hotmail.com

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O Destino de Uma Nação: Gary Oldman brilha como Churchill

Dominique - O Destino de uma nação
Como estamos no mês que antecede ao Oscar®, comento hoje, O Destino de Uma Nação. Filme que escolhi para você, já em cartaz, que concorre a seis estatuetas (filme, ator, maquiagem, fotografia, figurino e direção de arte), na maior cerimônia de premiação do cinema.

Joe Wright, diretor de adaptações literárias como Orgulho e Preconceito, Desejo e Reparação, traz toda essa pompa de sua filmografia para Darkest Hour (título original).

O filme mostra os primeiros dias de Winston Churchill como primeiro-ministro britânico assumindo o cargo em maio de 1940. Em plena Segunda Guerra Mundial, quando as tropas nazistas avançavam sobre a França, Belgica e Holanda e ameaçavam invadir o Reino-Unido.

Além de enfrentar Hitler, o político britânico também precisou contornar uma crise dentro do próprio partido e o desespero dos políticos em Londres frente à expansão e superioridade das forças nazistas.

Wright impõe bom ritmo à obra, mesclando momentos incrivelmente tensos e outros bem humanos. Nos quais o diretor aposta na melancolia para recriar um dos períodos mais escuros e desesperadores que o mundo já viu.

O Destino de Uma Nação é um cinema político necessário que demonstra essência de governantes. Cujo único propósito é a salvação de um país.

Junto da direção de Joe Wright, o roteiro se faz complementar, desde o aspecto visual, a diálogos e figurinos.

Se há algo que merece destaque especial no longa é a caracterização do protagonista.

O incrível trabalho de maquiagem transformou Gary Oldman em Churchill com tamanha perfeição que por vezes tem-se a impressão que se trata do próprio político em cena.

O ator inglês de 59 anos ganhou o Globo de Ouro de melhor ator. Ele desponta como favorito disparado na corrida ao Oscar® de 2018.

Dominique - O Destino de uma nação

Além do desafio de interpretação, havia também a transformação física. Quase magro Oldman não se parecia em nada com o rechonchudo Churchill.

O ator não estava disposto a engordar. Então convenceu o japonês Kazuhiro Tsuji, um gênio da maquiagem que trocou o cinema pelas esculturas, a abandonar sua aposentadoria.

Em um processo que durou seis meses, Tsuji criou um molde de silicone com os traços de Churchill e um terno de espuma que engrossava sua silhueta e o ajudava a se mover como o político.

Passou mais de duzentas horas na cadeira de maquiagem, filmou carregando metade de seu peso em próteses e chegava ao set quatro horas antes dos demais atores.

Além disso, sofreu uma intoxicação por nicotina pelas centenas de charutos que o roteiro o obrigava a fumar.

Jacqueline Durran complementa a imersão do público na década de 40 com figurino minuciosamente detalhado.

Quem assina a fotografia é o diretor francês Bruno Debonel, responsável pelas belíssimas imagens.

O Destino de Uma Nação conta com uma produção acima de tudo elegante. Iluminação perfeita e uma beleza plástica que combina com a sobriedade do ambiente político tradicional da Inglaterra.

É visualmente lindo, impressiona com sua maquiagem, fotografia, diálogos bem construídos. Com uma interpretação de Gary Oldman para lá de magnífica.

Com 6 indicações ao Oscar®, O Destino de Uma Nação é uma ótima dica. Principalmente para quem quer curtir o feriadão de Carnaval em casa. Depois me conta o que achou!

[fve]https://youtu.be/A6a1jypnWg0[/fve]

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Conheça a emocionante história do Galo de Barcelos, um dos símbolos de Portugal.

Dominique - Galo
De uma maneira geral, o galo é considerado um animal sagrado em diversas culturas e suas religiões. Por ser uma ave que prenuncia a manhã, ela é um símbolo solar, isto é, da própria luz nascente. É também considerado um emblema da vigilância e da atividade, pois antes mesmo da aurora ele já está de pé, ou melhor, anunciando a própria chegada do sol e a manifestação da luz, além de representar também a altivez, em função da sua postura.

Seu aspecto e atitudes naturais, para os japoneses, representam cinco virtudes, a saber:

1) Virtudes civis devido à crista, associada ao coroamento e mando

2) Virtudes militares devido às esporas, com as quais se defende

3) A coragem pelo seu desempenho em combates

4) A bondade, pois divide seu alimento com as galinhas

5) A confiança, pela segurança com a qual anuncia a certeza de um novo dia.

O galo sempre esteve presente como representante de atributos positivos e benéficos na mitologia grega; nas tradições nórdicas; nas culturas de povos orientais, africanos e indígenas; no xintoísmo; na religião hindu, no budismo, na maçonaria e também nas três grandes religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo.

É comum ver um galo de metal em torres de igrejas, cúpulas e campanários, normalmente voltado para o leste (onde nasce o sol) e até mesmo com a indicação dos pontos cardeais pois, por prenunciar a aurora, os altos das edificações recebem primeiro a chegada da luz do sol, anunciada pelo canto do animal, guardião que vela, vigia e manifesta o porvir da energia solar.

Para o catolicismo, o galo também pode ser um emblema do próprio Cristo (assim como a águia e o cordeiro), pois como símbolo solar representa a luz material e, devido ao seu reaparecimento diário, a ressurreição, a luz espiritual. Simboliza também no cristianismo a vigilância (atributo natural do animal), ou seja, a preocupação que o ser humano deveria ter com a eternidade pelo cuidado em priorizar as coisas espirituais.

Mesmo com todas estas simbologias, o galo é também uma iguaria da culinária nas mesas de todo o mundo e, associado a tudo isto anteriormente citado, entra aí a lenda do “Galo de Barcelos”, um dos símbolos de Portugal, que tem sua identidade visual bem colorida e de crista alta a partir dos anos 1930, porém com a história de sua origem muito anterior.

Trata-se da cidade de Barcelos, no distrito de Braga, ao norte de Portugal.

A lenda medieval nos conta que um homem galego, peregrinando à Santiago de Compostela, ao passar por Barcelos na sua caminhada, foi considerado suspeito de um crime por não ser conhecido na cidade. As autoridades prenderam-no e levaram-no ao juiz local apesar da sua insistência na própria inocência, uma vez que passava por ali rumo à Santiago de Compostela para cumprir uma promessa.

Ao ser condenado à forca, solicitou que o levassem ao juiz que lhe condenara. Assim o foi. Lá chegando à casa do juiz, ele se banqueteava com amigos. O acusado continuava a afirmar sua inocência e ninguém lhe dava ouvidos, até que o peregrino apontou para um galo assado que estava na mesa para o banquete e disse:

“É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem!”Banner - Galo

O juiz pouco lhe deu importância e empurrou o prato para o lado e o sentenciou que fosse à forca. Quando o galego peregrino estava realmente sendo enforcado o galo levantou-se na mesa e cantou.

O juiz compreendeu, então, a inocência do acusado, correu à forca e percebeu que o homem havia se salvado graças a um nó mal elaborado na própria forca. O homem então foi liberto e pôde continuar a sua caminhada à Santiago de Compostela em paz.

Alguns anos mais tarde, o mesmo galego voltou à cidade de Barcelos para esculpir um monumento em louvor à Virgem Maria e ao Santiago Maior. É o famoso “Monumento do Senho do Galo” que hoje se encontra no Museu Arqueológico de Barcelos.

A história ficou famosa, correu chão e, daí em diante, o galo tornou-se o símbolo de todo o país e é encontrado em miniaturas como uma das imagens mais emblemáticas de Portugal.

E ai? Gostou de conhecer a história do galo de Barcelos?

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João Braga

Professor, historiador, pesquisador, escritor, palestrante e colunista. Membro da Academia Brasileira de Moda. Especialista em História da Arte pela FAAP/SP e em História da Indumentária e da Moda pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo. Autor de História da Moda – Uma Narrativa e Reflexões sobre Moda. Co-Autor de História da Moda no Brasil e Cultura e Elegância. Já acompanhou mais de 33 grupos (mais de 600 pessoas) em viagens para Paris, Portugal, Moscou, Marrocos, Saint-Petersburgo.

2 Comentários
    1. Muito interessante,meu pai nascido no Brasil,porém filho de português, contava essa história, recentemente conheci Portugal, passei por várias cidades, não tive tempo de conhecer Barcelos mas comprei o galo,e quero voltar um dia para curtir a cidade.

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A Jovem Rainha: Uma nobre e linda história de amor

Dominique - Rainha
O drama histórico a Jovem Rainha Vitória, filme co-produzido pelo Reino Unido da Grã-Bretanha e Estados Unidos. Remonta os primeiros anos da Era Vitoriana – esta que viria a definir um longo período britânico reconhecido pela prosperidade e crescimento de sua população. Assim como de grande valor para a ascensão das artes.

O Palácio de Buckingham tornou-se a residência oficial da monarquia com a ascensão da Rainha Vitória em 1837.

As reformas mais significativas foram feitas na Era Vitoriana. Vitória reinou por 64 anos. O seu governo era sinônimo de pontualidade e sofisticação, isso se deve ao fato da soberana ter influenciado o estilo de vida e comportamento dos ingleses.

A Jovem Rainha Vitória, filme com direção competente de Jean-Marc Vallée (C.R.A.Z.Y. Loucos de Amor) e roteiro assinado por Julian Fellowes (Feira das Vaidades), flerta com ideias que parecem arrojadas, como a de um amor igualitário (Vitória já era rainha e poderosa o suficiente, mas viu na troca de ideias com Albert o futuro de seu reinado). Mas é nos ideais do amor romântico que ele efetivamente se encontra.

Crucial para que Vitória aprendesse a colocar suas paixões a funcionar em seu favor foi seu casamento com o príncipe Albert (Rupert Friend) que se provaria um excelente conselheiro.

Albert entrou na corte de sua prima a mando do rei Leopoldo da Bélgica para manobrá-la e espioná-la. Apaixonou-se perdidamente por ela e foi loucamente correspondido.

Dominique - Rainha
Os primeiros anos da rainha Vitória no poder foram turbulentos. Ela foi coroada em meio a um clima hostil causado pela disputa pelo trono em sua família. Se aproximando cada vez mais de Albert, príncipe da Bélgica, ela recebe o título de rainha. E passa a ser cortejada pelo Primeiro-Ministro Inglês, Lorde Melbourne (Paul Betany). A instabilidade gera uma crise institucional no país e Vitória precisa ter cuidado ao interferir nos assuntos políticos da Inglaterra.

Dá para entender o fato de o filme ignorar temas importantes do reinado de Vitória, como a política expansionista britânica e a Revolução Industrial, afinal optou-se por um romance típico – e nos registros históricos existiram poucos como o da rainha e o seu príncipe consorte. Como ela o escolheu para marido, considera-se que o casamento tenha sido o primeiro por amor já realizado na realeza.

Destacam-se Direção de Arte e Maquiagem, ambas indicadas ao Oscar®. O irretocável figurino, aliás, lindo de morrer, com excelente trabalho de pesquisa histórica, laureou mais uma vez Sandy Powell, merecidamente.

No elenco, chamam atenção, Miranda Richardson, como a mãe manipuladora, Jim Broadebent como o excêntrico tio de Vitória e Marc Strong, que mesmo coadujvando, toma para si a maioria das cenas em que figura. Emily Blunt (O Diabo Veste Prada) surpreende como uma Vitória decidida e encantadora e Rupert Friend está bem com seu seguro Príncipe Albert.

A Jovem Rainha Vitória é um filme que emociona e encanta, vale a pena assistir.

[fve]https://youtu.be/MktAWjRVY9Y[/fve]

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  1. Can you be more specific about the content of your article? After reading it, I still have some doubts. Hope you can help me.

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