Tag: Maturidade

Estilistas, atenção – Dominiques também consomem!

Dominique - Estilista
Tenho uma amiga que fez 50 anos bem antes de mim. Um dia, no horário do almoço, ela disse que precisava comprar uma roupa para usar na festa de formatura de um sobrinho. É um pouco menos torturante do que escolher vestido de casamento.

Rodamos um shopping próximo e estranhei que ela só entrava em lojas de roupas old fashion. Sabe como é? Ton sur ton, blusas sem pence, chemisier no meio da canela, tailleur rosa pêssego de manga no cotovelo.

Nada agradava. Já estava na hora de voltar para o trabalho. Enquanto entrava em mais uma loja, me disse que tinha gasto vários sábados com isso e era só frustração. Fiquei espantada, porque ela era prática e tinha gosto pra escolher roupa, era uma clássica moderna. Nunca me pareceu ter dificuldade na hora de se vestir.

– Mas qual é o problema?

– Agora sou uma senhora e preciso encontrar outro jeito de me vestir.

Foi um choque ouvir aquele “senhora”. Como minha amiga moderna, batalhadora, independente tinha mudado de identidade por causa de uma data no RG? O que ia ser de mim quando chegasse lá?

Insisti.

– Por que não pode ser o mesmo jeito? Você nunca se vestiu como garotinha.

– Menina, minhas roupas poderiam ser as mesmas, mas meu corpo deixou de ser. A cintura quase sumiu, os braços estão começando a ter babadinhos, as pernas afinaram e as costas alargaram como a do Phelps.

– Quero continuar a ter o mesmo estilo, mas preciso de algo para disfarçar esse desastre da gravidade. Você acha que as lojas que eu adorava têm alguma coisa pra mim? Além de pararem a numeração no 44 que parece 40, não se importam em acompanhar as novas proporções do meu corpo.

E lá foi ela garimpar uma produção aceitável nas lojas especializadas em vestir as “mulheres inviáveis”.

Oito anos depois, entendi a consternação que ela sentiu. Menos do que estranhar o novo corpo, vem a revolta de ser jogada num limbo da indústria da moda. No vazio de um buraco negro que atende dos 20 aos 49 anos e só recomeça, dependendo do espírito, aos 70 anos.

Um dia poderei ser a feliz consumidora de vestido camisolão sem cinto, mas não ainda. Senhor, olhai por nós, as cidadãs experientes, bem sucedidas, realizadas, donas do seu nariz, porque os donos da moda não nos enxergam. Senhor, perdoai os stylists, porque eles não sabem o que fazem.  

Me recusei a aceitar a cronologia como destino. Quantos anos tenho? Não tenho idade. O que seria a moda para quem tem 50+? Não é a roupa de garota adaptada à força para qualquer idade. Aliás, esta nunca foi minha praia.

O que eu quero, afinal, da moda? Não parei de pensar nisso, até encontrar o blog de uma americana, Linn Slater, de 63 anos. Ela acredita que o vestuário pode influenciar como alguém pensa, sente e age. Bingo!

Tomando emprestada uma palavra que dói no ouvido – quer desempoderar uma mulher? Vista-a como alguém invisível, sem charme, sem elegância, sem formas, sem sensualidade, sem alegria.

O que eu quero da moda, senhoras e senhores empresários, produtores, estilistas, é ter uma elegância moderna, um glamour descolado, uma roupa que diga quem eu sou e me coloque pra cima. Não vou comprar muito, nem o mais caro, só o melhor para mim.

Nada de marcas exclusivas para senhoras, seções separadas, editoriais de moda sobre as tias modernex, anúncios com a velhinha excêntrica.

Quero entrar na xxx, na xxx ou na xxxx e sentir que alguém ali se preocupou comigo, pesquisou o meu desejo de consumo, entendeu como meu estilo evoluiu, usou as medidas de um corpo que se modifica com o tempo. Alguém que me fará sair feliz da vida com uma roupa perfeita no corpo, linda e moderna.

Entenderam estilistas? Espero que o recado tenha ficado claro. O que você diria para os estilistas?

Leia Mais:

O dia que ela viu a lua sem entrar na Apolo 11 – Um conto bem picante
Ela se casou por causa de um speed dating!

Inês Godinho
Inês Godinho

Jornalista, brasileira, ciente das imperfeições e das maravilhas da vida. Contradições? Nada causa mais sofrimento do que um texto por começar e não há maior alegria que terminá-lo.

9 Comentários
  1. Perfeito,eu me sinto assim ultimamente,o corpo exatamente como sua amiga descreveu,mas eu continuo querendo ser elegante sensual ,sem vlgaridade e ficamos sem opção, adorei, vamos repassar pra ver se conseguimos sensibizar os estilistas,bjs!!

  2. Tenho 72, atuante e dinâmica, ainda trabalho como representante de confecção, desde 1980 ( faz tempo né) e realmente esse mercado cresce e não existe produção para atender!!!

  3. Perfeito!! Tenho tido super dificuldade para comprar uma roupa que nao me faca parecer nem senhora ridícula com uma roupa de adolescente ou com trinta ano a mais.
    Ou fico parecendo uma senhora metida a mocinha, que acho patético, ou uma verdadeira velha
    Alguém tem que fazer uma marca bacana , uma roupa bem cortada para 50 ou mais !!!!!

  4. Achei que o problema fosse comigo. 52 anos. Mãe de 3.Avó.
    Tive medo de estar, assim como Peter Pan, me recusando a crescer. No meu caso, envelhecer.
    Mereço mais. Mereço cor, bom caimento, modernidade sem parecer ridícula, preço justo e diversidade. Mereço ser vista como mulher, sexy, atraente e poderosa.
    Mereço ser vista e entendida como realmente sou!
    “Lua em pleno dia… e por que não?”

  5. Maravilhoso,concordo plenamente,é exatamente como me sinto pois do manequim 38/40 fui para 42,mas tudo assim assim,ou é pra 20 ou 70 anos
    Terrível,você até perde a identidade. Vamos mudar este conceito.

  6. O que dizer?????
    Talvez, indignação, falta de sensibilidade, acompanhar as gerações e vê que não é pelo simples fato de ter chegado aos 50 que nos torna ETES….Estamos vivas e com todo vapor, e mais, atuantes como nunca em todas as áreas.
    Queremos mais!

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Independência Financeira – A rota para a liberdade

Dominique - independência financeira

Lidar com a vida financeira é lidar com emoções. Insegurança, cobiça, desconforto, ansiedade, inveja são alguns dos sentimentos ligados ao “vil metal”. Tantas travas emocionais  dificultam que a gente reconheça o maior atributo do dinheiro – ser uma fonte de liberdade e tranquilidade.

Você pode considerar esta ideia estapafúrdia e até imoral. Mas pense na paz de espírito de quem, aconteça oque acontecer, consegue contar com uma reserva para as necessidades presentes e futuras. Isto se chama independência financeira e tem o gosto autêntico da liberdade. Só a autonomia permite que a gente disponha do maior de todos os tesouros, o nosso tempo.

Para chegar lá, a fórmula é simples – gastar menos do que se ganha, poupar e investir o que sobra. Pessoalmente, sem terceirizar a preocupação com o futuro. Porém, se é tão bom, porque é tão difícil?

Entre os muitos campos em que nossa geração de mulheres mandou bem, existe UM em que a maioria ainda patina – justamente o mundo das finanças. Não o dos gigantes bancários, mas aquele do dinheiro nosso de cada dia.

A dificuldade de tantas mulheres em ter controle da vida financeira é real, comprovada em pesquisas. E essa realidade meio desagradável costuma escolher um momento crítico para desabar como um viaduto sobre nossas cabeças. A entrada nos 50.

Justo quando estamos precisando mudar o guarda-roupa inteiro, porque nosso corpo se transformou. Logo agora que estamos prestes a nos aposentar ou fomos demitidas porque passamos da idade aceitável pelas empresas e temos que correr para reinventar o trabalho. Os pais começam a inverter o papel e a precisar do nosso apoio. Momento em que casamentos de 20, 30 anos caminham direto para o divórcio. Os filhos saíram de casa. Ou voltaram.

O futuro chegou. Cai a ficha que viver muito, como viverá nossa geração, custa caro. E não estamos seguras com o que guardamos para encarar a segunda metade da vida.

Ao conquistar a independência financeira, podemos contar com uma certa previsibilidade na vida.

Você pode ter se divorciado, aposentado pelo INSS, fugido de país, casado com um surfista. A capacidade de dispor de uma renda mensal, que cubra o padrão de vida que considera adequado, pelo tempo que viver, estará lá para dar sossego.

Há muita coisa que você pode mudar na sua vida para conquistar essa independência financeira. Mas que tal começar aprendendo a dizer NÃO sem sentir culpa?

Leia Mais:

10 plataformas que ajudam a ganhar ou economizar um dinheirão
A Lua, Santinho… Finalmente, a Lua.

Inês Godinho
Inês Godinho

Jornalista, brasileira, ciente das imperfeições e das maravilhas da vida. Contradições? Nada causa mais sofrimento do que um texto por começar e não há maior alegria que terminá-lo.

Seja a primeira a comentar

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Vestido – CURTO x LONGO

Dominique - Vestido
E chega uma fase na vida que amiga é mais importante que o marido.

Tá bom. Exagerei. Mas é quase.

É que tem coisas que só com uma amiga.

Você consegue imaginar seu marido te ajudando a decidir se você deve ir de longo ou curto naquele casamento?

Não, né?

Mas pra isso você tem amiga.

Você liga pra ela conta seu drama e ela fica realmente preocupada.

Pensa no seu problema sempre que tiver um tempo.

Vai te ligar umas 10 vezes pra dizer os prós e contras do longo.

Vai na tua casa pra ver como os vestidos estão caindo em você, além de levar quase todo o armário dela para você experimentar.

Vai largar tudo no sábado para ir procurar com você “a roupa”.

Que marido faz isso?

Pior. No dia da festa, depois dele reclamar e chiar que não entende o que você fica fazendo uma tarde inteirinha no salão, olha pra você prontinha, linda e maravilhosa e pergunta se seu sapato é novo.! Aff!

– Não querido… A única coisa que não é novo aqui é justamente o sapato.

Mas é pra isso que você tem amiga.

Nessa altura, você já mandou umas 10 selfies para ela e ela já levantou sua autoestima à enésima potência.

Tks Best friend.

Ah! Você quer saber se fui de longo ou de curto, né?

Pois então…

Aqui algumas dicas de uma daquelas amigas que toda mulher deveria ter:

– Se for convidada, opte sempre pelo curto.

– Longo apenas se o convite sugerir traje black ou longo explicitamente.

– O vestido curto é muito versátil, pode ser usado em diversas ocasiões dependendo dos acessórios.

– Vestido curto para uma Dominique significa comprimento na altura do joelho, um pouquinho acima (pouquinho, hein), um pouco abaixo, dependendo do estado de suas pernocas.

– O grande segredo é mostrar o que temos de melhor. Por exemplo, valorizar o colo com um decote bacana.

Ah! Não tenha preguiça na hora de experimentar. Experimente muitos! É assim mesmo. Não acertamos de primeira. Nem de segunda. Nem de…

Mas de repente, você veste um que pimmmm!  Você achou aquele vestido que te deixou com um colo lindíssimo, cintura fina, costas alinhadas, sem barriga e com o bumbum arrebitado!

Se o vestido não for tudo isso, é quase tudo isso. Tá bom!

Leia Mais:

Independência Financeira – A rota para a liberdade
A Lua, Santinho… Finalmente, a Lua.

Eliane Cury Nahas
Eliane Cury Nahas

Economista, trabalha com tecnologia digital desde 2001. Descobriu o gosto pela escrita quando se viu Dominique. Na verdade Dominique obrigou Eliane a escrever. Hoje ela não sabe se a economista conseguirá ter minutos de sossego sem a contadora de histórias a atormentá-la.

1 Comentário
  1. Muito bom.
    Me foquei no detalhe acima do joelho pois não me adapto com abaixo do.
    Respeitando cada um com seu estilo e e de bem com o que está usando.
    Valeu a dica.bjs

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Os 50 trazem de tudo, mas nada como a sensatez e a ousadia!

Dominique - Sensatez
Não gosto de nada morno. 8 ou 80. Fervendo ou gelado. Salgado ou melado, jamais sonso.

Sempre fui exagerada na opinião de quem me cerca.

Ultrapassar limites o tempo todo sempre foi minha praia, missões impossíveis então, nem se fale.

Tudo extremo. Trabalho, amor, paixão, ajuda ao próximo, atividade física – que dura pouco, mas quando acontece é intensa.

“Exagerado” do Cazuza era minha canção tema.

Brecha na agenda? Nunca tive. No ameaço de ter um mísero vão, encaixava algo imediatamente.

Sedentária por natureza, envergonhada perante aos meus amigos, sem falar nos discursos infindáveis dos médicos, decidi começar uma atividade física. Depois de inúmeras tentativas fracassadas, decido fazer algo que me dê o mínimo de prazer. Por que cargas d’agua escrever não queima calorias? Afinal escrever também libera endorfinas.

Eureca! Vou jogar tênis. Comprei uniforme, raquete, tênis apropriado, munhequeira, contrato o professor. Faço uma aula teste e para minha agradável surpresa, foi o máximo.

Poderia fazer duas vezes por semana como qualquer pessoa normal, certo? Errado. Estou falando de mim. Durante um ano tive aula 5 dias por semana. Comecei a jogar bem, arrisquei alguns “aces” e ganhei uma lesão no ombro e detonei a sacroilíaca pela primeira vez. Resultado: fiquei meses sem conseguir escovar o cabelo e os únicos exercícios foram sessões infinitas de fisioterapia.

Sem uma gota de energia, me atirava na cama – deitar era lento demais para mim – caia como uma pedra e em segundos em sono profundo. Nem assim desligava. Acordava, acendia o abajur, pegava na minha mesinha de cabeceira o meu caderninho manchado com a xícara de chá que insistia em levar para a cama todas as noites, mas desmaiava antes de sorver metade do líquido. Anotava milhões de ideias, trabalho, crônicas, um modelito para uma festa, um arranjo para a sala de jantar, uma ação social para melhorar a vida de uma comunidade carente. O céu era o limite.

Falando em mesinha de cabeceira, o tal bloquinho ficava em cima de oito livros, sonho de consumo para horas vagas – a réplica da Torre de Pisa. Mês a mês, a tal pilha crescia vertiginosamente.

Recentemente entrei numa nova maratona. Mudei de casa, de cidade, acabei o namoro, assumi mais trabalho. 14 horas por dia ligada no 220 v. Fiquei felizinha da silva e de brinde ganhei uma lesão na sacroilíaca novamente (fruto de carregar muitas caixas na mudança) e uma crise de enxaqueca que durou mais mais de dois meses.

Inconformada diante da situação, choraminguei no ombro de uma amiga-irmã:

Não entendo o que aconteceu. Eu sempre fui assim. Desde os 19 anos trabalho como uma louca!

Ela, sem a menor cerimônia, fala o que eu precisava ouvir:

– Eu sei querida. Você sempre foi hiperativa, mas você nunca teve cinquenta e dois anos.

Aquilo foi um chute no ovário. Pensei em romper a nossa amizade de 35 anos. Mas ela, como sempre, está certa. Venho testando meus limites há anos.

Já que o tempo é implacável quem sabe a tal maturidade seja acompanhada pela sensatez.

E estou me surpreendendo comigo mesma. Dosando melhor o tempo, curtindo o ócio, cozinhando e sabe o que aconteceu? Meu trabalho melhorou, estou produzindo com mais qualidade, curtindo mais a vida. Tenho feito inclusive um certo esforço para ficar alguns momentos com a mente vazia, não pensar em nadica. Eu nem sabia que isso era possível! E faz tão bem para a alma, mente e corpo.

Chegar aos 50 nos me deu maturidade para analisar o que me faz bem e o que não faz. Nem sempre consigo me livrar do que me chateia, irrita, incomoda, mas saber como lidar com isso é que o X da questão, é inteligência e bom senso.

Também me sinto mais ousada. É preciso um bocado de ousadia para decidir ficar sozinha em casa, no interior, afastada, num fim de semana inteiro e achar delicioso. Na primeira vez precisei de uma dose cavalar de coragem e, em pouco tempo, passei a adorar.

Os 50 trazem perdas. Sim, algumas, mas não são nada relevantes comparada à liberdade, sensatez e ousadia que só o tempo nos premia. Se olhar bem no fundo, com sensibilidade para sacar, o volume de ganhos é enorme!

Você já passou por algo parecido nessa fase da vida? Vou dizer que a sensatez ajuda muito.

Leia Mais:

Meu corpo mudou, depois dos 50 meu corpo nunca mais foi o mesmo
O que fazer na hora dos jogos? – Parte II, a missão

Marot Gandolfi
Marot Gandolfi

JORNALISTA, EMPRESÁRIA, AMANTE DE GENTE DIVERTIDA E DE CACHORROS COM LEVE QUEDA PARA OS VIRALATAS.

2 Comentários

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

Escolhas do passado interferem no seu presente. Dá tempo de escolher melhor

Você já pensou nas escolhas que fez até agora?

A maturidade financeira nem sempre acompanha a maturidade cronológica. Mulheres, com mais de cinquenta anos, se percebem com recursos financeiros restritos, instabilidade e problemas em administrar suas finanças nessa fase da vida. Muitas Dominiques podem ter criado a expectativa de que na idade em que estão já estariam financeiramente estáveis, resolvidas e equilibradas.

E isso nem sempre acontece, em função de vários fatores e mudanças. Há mulheres que decidem ter uma nova atividade de trabalho que pode demandar tempo para gerar renda e estabilizar.  Há mulheres que se divorciam e tem o padrão de vida alterado. Outras que precisam encerrar o seu negócio próprio pelo pouco rendimento que os mesmos tem gerado, entre outras situações.

É preciso considerar a realidade atual, as dificuldades e instabilidades socioeconômicas do nosso país, diante de tantas mudanças que estamos atravessando. Muitas pessoas que tem o próprio negócio podem ser prejudicadas em dias de jogos da Copa do Mundo, por exemplo. Ou em dias de greve, nos quais os seus funcionários não comparecem. Enfim, há influências externas importantes que geram insegurança.  Mas não podem ser a única justificativa para os problemas financeiros. Há componentes internos que devem ser analisados também. As dificuldades em pagar contas e administrar o dinheiro podem causar ansiedade, depressão e sentimentos negativos já que tais dificuldades podem ser interpretadas como fracasso e incapacidade.

O dinheiro em si é um instrumento de troca e interação e cada um lhe atribuirá um significado de acordo com seus próprios valores. Esse significado está ligado à história de vida, à forma como nossos pais usavam e nos ensinaram a usar o dinheiro, ao significado que o dinheiro adquiriu para o indivíduo, às dificuldades e aos momentos de fartura de outras épocas. Muitas crenças são inconscientes e influenciam nosso modo de viver. Considerar o dinheiro um problema ou carregar culpa por ter mais dinheiro do que as outras pessoas são noções distorcidas que podem sabotar o ganho financeiro e a administração desse ganho.

Torna-se imprescindível pensar sobre o panorama financeiro de nossas vidas e ampliar a compreensão de como lidamos com o dinheiro. Como são meus gastos? Como conduzo minha vida financeira? Quais são minhas prioridades? O que preciso mudar ou ajustar nessa área? É sempre proveitoso analisar situações que vivemos para que possamos promover mudanças. Os problemas afetivos podem levar a pessoa a buscar compensações no consumo excessivo. Na satisfação em ter algo que evite o contato com uma situação emocionalmente dolorosa. A crise financeira pode ser a consequência, e não a causa do problema.

Preciosos insights surgem quando nos propomos a enfrentar dificuldades e repensar atitudes. A situação financeira sofre a influência direta da nossa saúde emocional. Nossas emoções guiam nossas ações e também o uso do dinheiro, consequentemente. Criar um equilíbrio entre essas duas áreas da vida prepara a pessoa para enfrentar adversidades que podem surgir. Não podemos controlar os imprevistos da vida, mas podemos fazer exercícios constantes de análise e conscientização que aumentam nossa resiliência e nos fazem acreditar no nosso próprio potencial em superar problemas.

A vida não tem um script, uma regra incondicional. Sempre há tempo e motivo para um refazimento de projetos, desde que a pessoa se permita pensar novos caminhos e comportamentos. O ponto de partida é a consciência de si e a busca de um estilo de vida feliz, financeiramente equilibrado!

Leia Também:

5 motivos que atrapalham nossa estabilidade financeira

Os desafios da recolocação no mercado de trabalho para Dominiques

 

Alcione Aparecida Messa
Alcione Aparecida Messa

Psicóloga, Professora Universitária e Mediadora de Conflitos. Doutora em Ciências. Curiosa desde sempre, interessada na beleza e na dor do ser humano. E-mail: alcioneam@hotmail.com

Seja a primeira a comentar

Comentar

Your email address will not be published.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>

QUER MAIS CONTEÚDO ASSIM?
Receba nossas atualizações por email e leia quando quiser.
  Nós não fazemos spam e você pode se descadastrar quando quiser.
CADASTRO FEITO COM SUCESSO - OBRIGADO E ATÉ LOGO!
QUER MAIS CONTEÚDO ASSIM?
Receba nossas atualizações por email e leia quando quiser.
  Nós não fazemos spam e você pode se descadastrar quando quiser.
CADASTRO FEITO COM SUCESSO - OBRIGADO E ATÉ LOGO!
QUER MAIS CONTEÚDO ASSIM?
Receba nossas atualizações por email e leia quando quiser.
  Nós não fazemos spam e você pode se descadastrar quando quiser.
CADASTRO FEITO COM SUCESSO - OBRIGADO E ATÉ LOGO!
QUER MAIS CONTEÚDO ASSIM?
Receba nossas atualizações por email e leia quando quiser.
  Nós não fazemos spam e você pode se descadastrar quando quiser.